Irei dividir com vocês um texto que retrata um episódio da minha adolescência. Foi realizado e desenvolvido em uma das disciplinas (Leitura e Produção de Textos Educacionais) do curso de Psicologia. Ao receber o feedback da professora (que adoro de paixão), resolvi compartilhar aqui um pouco mais do meu eu. Fique contente com o resultado e o elogio adquirido pelo exercício, sinceramente não o esperava.
A mudança
Após um período de frustrações e tristezas das quais imaginei não suportar, algo ou uma voz berrava dentro do meu eu, não há compreendia, estava anestesiado pelos acontecimentos e surpresas irremediáveis. Aos dezessete anos, experimentará minha primeira desilusão amorosa, parece pouco ou até mesmo dramático, mas, eu não há recebia sozinha. Consigo traria o medo da não aceitação.
Por alguns instantes, pensei em me entregar, desistir de fato sem saber qual o fim teria. Só que os gritos se tornavam mais agudos, mais fortes. Tanto que entende-los foi uma tarefa fácil. Diziam algo do tipo: "- Cinzas, renascer... Mudança." Traduzindo para a minha realidade e momento atual, cinzas representava o pó da qual me encontrava, estado que permiti estar por confiar demais.
Renascer, seria um novo começo, prosseguir sem vergonha ou receio de ser o que sou. Nesse exato momento comparei o meu corpo ao de uma fênix, que surge linda e bela das cinzas, do pó e brilha com intensidade através das chamas reluzentes e ardentes. Infelizmente não era a aparência que se refletia nos espelhos, não era o que eu enxergava.
A mudança... Sim essa faria as luzes acenderem, traria a esperança e vontade de caminhar. Mas como a integraria no meu eu? O som alto da televisão atrapalhará meus pensamentos. Irritado, segui até a comoda e apontei o dedo, segurando o botão que colocaria fim naquela entrometida.
Só que ao ouvir aquela melodia, hit que se tornaria trilha sonora desta fase da qual me desprendia, parei e comecei a observar. O clipe era mórbido e solitário, lágrimas espontâneas escorreram pelo meu rosto, a banda Evanescence estava no auge e sua música, My Immortal, era a mais pedida. Tudo tão semelhante ao que vivia, foi então que um acessório na face da vocalista me despertará atenção, mesmo com toda aquela tristeza, parecia forte e determinada, como se um pilastre a mantivesse em pé, um piercing.
Piercing, era isso, essa era a mudança da qual necessitava, o grito de liberdade que aguardava, até então, calado e adormecido. Uma nova imagem esplendorosa, ganharia vida após sua perfuração, esse acessório, joia ou piercing passaria e se tornaria meu mais novo amuleto. Significaria a sorte da qual procurava, a sorte que desejava, a sorte que aquele momento necessitava.