" - Sou discreto e sigiloso, jamais entregaria você para o seu rolo, sei que acabou de me conhecer e terá suas desconfianças, mas, faremos assim... Você entra em contato e eu respondo o.k?". Balançou a cabeça com um sinal de sim e sorriu. Se levantou e apertou a minha mão, me desejou bom dia e partiu. Até agora nenhum contato foi estabelecido e eu, como de costume, não irei criar expectativa alguma, até porque, a iniciativa veio dele e assim será, pelo fato de ser enrolado.
Esse episódio aconteceu hoje, as 07:19 da manhã, quando entrei no trem (estação Piqueri), sem esperar e distraído ouvindo um dos programas de rádio favoritos, o Baú da Mix (106,1 FM). Ao perceber que estava sendo encarado, fixei meu olhar e retribui. Um Oi tímido e meio silencioso foi soltado em minha direção, balancei a minha cabeça e um sorriso com lábios se fez. Era homem, com seus 37 anos, porte robusto, estilo Ursão, parrudo, cheios de pelos, barba por fazer, um aspecto viril e heterossexual, jamais, esperaria uma cantada daquele ser.
Ao descer Lapa, dei passagens para algumas pessoas que desembarcavam, demorou cerca de 4 minutos e retornei ao vagão. Estava de frente a ele, logo nos aproximamos. Senti o alisar de seu braço ao meu, seus mãos vieram de encontro a minha, estávamos segurando o ferro e ninguém ali notou (não que eu tenha percebido). Água Branca foi anunciada e um joia me foi feito, um tchau sem graça dito. Como atitude não me falta, desci junto e disse em tom baixo: " - Me espera!", ele o fez. Sentamos e ali conversamos um pouco, trocamos contatos e o mais engraçado foi o seu e-mail, nele contém o nome de uma figura conhecida da minha época, um desenho chamado Jerry (ratinho da MGM, do clássico Tom & Jerry). Tá aí irei batiza-lo assim, Jerry do Jaraguá! Me fez chegar 15 minutos atrasado, mas, espero valer a pena. Para fechar meu dia, realizei a prova da Universidade a qual aguardo e depois compartilho o resultado.
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